|
RESISTÊNCIA
DE PLANTAS DANINHAS A HERBICIDA
A resistência
dentro de uma espécie de planta daninha pode ocorrer
a partir de biótipos nativos de uma lavoura, com sementes
produzidas pelo próprio agricultor, como pode ocorrer
a partir de sementes introduzidas de outras regiões,
onde essa resistência esteja ocorrendo. Nenhum agricultor
que usa herbicidas está livre de um eventual problema.
Nem o
agricultor, nem o agrônomo e nem o fabricante do herbicida
são responsáveis pelo surgimento de uma resistência,
que é um fenômeno natural. Todos, entretanto,
devem trabalhar para prevenir e mesmo erradicar o problema.
Procedimentos
gerais devem ser tomados, seguindo um código de ética,
a fim de preservar os interesses e a imagem de pessoas afetadas
bem como preservar a imagem de produtos.
Empresa
registrante dos produtos fitossanitários
Conhecendo
seus produtos, deve fazer suas recomendações
de uso de modo a prevenir o surgimento de resistências,
mesmo abrindo mão de algumas aplicações,
quando for o caso. Deve manter sob observação
as regiões de uso intensivo de seus produtos, procurando
detectar qualquer problema incipiente.
No caso
de suspeita de alguma resistência, deve providenciar
estudos científicos para comprovar ou negar a ocorrência.
Uma vez
confirmada a resistência de um biótipo de planta
a um herbicida proprietário, o fato deve ser comunicado,
de forma adequada, ao comitê de resistência da
SBCPD e à comunidade científica, pois outros
produtos com mecanismo de ação semelhante podem
apresentar o mesmo problema.
Qualquer
divulgação sobre biótipos resistentes
deve ter comprovação científica, tanto
a campo como em laboratório. Não devem ser feitas
comparações enganosas com produtos concorrentes.
Revenda
Deve
transmitir aos agricultores as recomendações
sobre manejo, de modo a prevenir resistências.
Deve ajudar
no monitoramento das áreas, comunicando ao registrante
do produto qualquer suspeita. A suspeita deve ser discutida
com o agricultor, com recomendações gerais para
superar eventuais problemas.
Não
deve fazer uma divulgação de suspeita, sem que
haja uma confirmação científica.
Assistência
técnica
O profissional responsável pela assistência e
pelo receituário deve se manter atualizado sobre o
tema e participar do monitoramento de áreas.
As recomendações
de tratamentos fitossanitários devem ser de forma a
minimizar os riscos de ocorrência de problemas de resistência.
Casos
de suspeita merecem ser discutidos entre colegas, para que
seja aumentada a vigilância. Não deve ser divulgado
ao público uma suspeita, para não prejudicar
o agricultor, pois tal suspeita pode não ser confirmada.
A empresa
registrante do produto deve ser alertada.
Material
suspeito deve ser testado, na área da própria
lavoura, com obediência às normas de segurança.
Se o problema
continuar, sementes maduras de plantas suspeitas, junto com
sementes de plantas suscetíveis, devem ser encaminhadas
a uma entidade que possa dirimir as dúvidas com testes
de laboratório .
Confirmada
uma resistência, medidas de controle devem ser tomadas.
Se o agricultor
não cooperar, insistindo em continuar com práticas
que possam aumentar ou espalhar o problema, tal fato deve
ser comunicado à entidade à qual esse agricultor
esteja ligado, como cooperativa, associação
de produtores de sementes, etc...
O agricultor
Deve seguir as recomendações da empresa registrante
dos produtos e da assistência técnica. Deve colaborar
no monitoramento e, em caso de suspeita, procurar orientação
de um agrônomo de sua confiança.
Grãos
colhidos numa área suspeita não devem ser usados
ou vendidos como sementes, até que a suspeita seja
eliminada. Grãos colhidos numa área com ocorrência
confirmada de resistência, não devem ser, de
forma alguma, usados ou vendidos como sementes. Só
podem ser encaminhados ao consumo ou para a indústria.
Quando
uma colheitadeira trabalhou em lavoura com problema de resistência,
ela deve ser rigorosamente limpa antes de seguir para outra
lavoura.
Entidades
de pesquisa
Entidades
que efetuam pesquisa com biótipos resistentes ou suspeitos
devem assegurar que não haja dispersão de propágulos,
sejam partes diversas do vegetal, sementes ou pólen.
Toda a
pesquisa deve ser feita em ambiente fechado. Terminado o teste,
todo o material restante deve ser incinerado.
Se necessário,
pequena quantidade a ser mantida como contraprova deve ser
conservada em embalagem segura, devidamente identificada como
contendo material resistente, que só pode ser manipulado
por um técnico autorizado. A identificação
deve ser tal que não permita confusão com material
não resistente.
Divulgação
de resistência efetiva
No
caso de resistência confirmada, devem ser alertados
os agrônomos que trabalham na região, as revendas
e agricultores em geral.
Deve ser
indicada a espécie infestante com biótipos resistentes.
Deve ser
indicado o grupo químico ou o grupo de mecanismo de
ação do produto que apresentou o problema. Não
deve ser acusado um produto comercial específico, pois
a tendência é de que outros produtos com ação
semelhante venham a apresentar o mesmo problema.
Não
devem ser identificados o agricultor e a propriedade onde
ocorre o problema; apenas deve ser indicada a região.
|